sábado, 7 de abril de 2012

62,5% de cana de São Paulo, já é colhida com máquinas

Colhedeira de Cana

Avança no setor sucroalcooleiro de São Paulo o uso de máquinas na colheita da cana-de-açúcar com a consequente redução da emissão de gases poluentes e de efeito estufa. De acordo com levantamento da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, do total colhido na safra 2011/2012, 62,5% foi por meio do uso de máquinas e 34,8% pelo processo tradicional, que implica queima e corte manual.


O resultado consta do relatório do Protocolo Agroambiental assinado entre o setor e a secretaria em 2007. Por ele, entre os vários compromissos assumidos por 173 unidades agroindustriais e 29 associações de fornecedores de cana, está o de colher com máquinas 100% da cana plantada em áreas planas até 2014 e, nas áreas acidentadas, até 2017.


Na safra de 2011/2012 a área de cana plantada foi de 5,4 milhões de hectares ante 4,98 milhões na safra 2010/2011. A área colhida foi de 4,79 milhões de hectares com pequena variação em relação aos 4,72 milhões da safra anterior.


No processo tradicional, que implica queima e posterior corte manual da cana, o relatório aponta a colheita de 1,67 milhão de hectares colhidos ante 2,10 milhões da safra anterior.


O secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, ressalta a importância da cana no Estado, uma vez que a cultura ocupa 25% da área agriculturável. Ele explica que um dos problemas para o aumento da mecanização da colheita está nos pequenos produtores. "Uma máquina custa R$ 1 milhão. É muito dinheiro para o pequeno investir, mas agora a Secretaria da Agricultura chegou a um modelo e teremos uma linha de crédito para esse produtor rural."


De acordo com a secretaria, desde a assinatura do Protocolo Agroambiental, o setor deixou de emitir 2,7 milhões de toneladas de CO2. Um ganho ambiental equivalente à retirada de circulação de 47.128 ônibus por um ano .


Segundo Covas, das 173 usinas que fazem parte do acordo, 158 foram certificadas pela secretaria e, das 29 associações de fornecedores de cana, 27 receberam o aval do Estado. Eles representam cerca de 90% da produção paulista e 50% da produção nacional de etanol.


No que se refere à recuperação da mata ciliar nas propriedades agrícolas, o setor deixou a desejar: apenas 16 mil hectares de um total de 269.977 foram recuperados desde o início do protocolo em 2007.


Quanto à redução do consumo de água, outro item previsto no protocolo, 41% das usinas consomem abaixo de 1 metro cúbico por tonelada de cana processada. A meta do protocolo é a de que o setor chegue a 2014 consumindo no máximo 1 m3 por tonelada de cana.


Por causa das dificuldades enfrentadas pelo setor, a palha da cana, que pode ser usada para geração de energia, está sendo deixada no campo. Os técnicos calculam que, se metade dos 39 milhões de toneladas de palha fosse usada para cogeração, seria possível obter 1.124 MW, 25% do potencial de geração de Belo Monte, que é calculado em 4.572 MW. "Com o uso de metade da palha para geração de energia, o Estado passaria a ter 60% da sua matriz energética proveniente de fonte renovável ante 56% hoje", explica Covas.
De acordo com o secretário, ao contrário do que se supunha, a mecanização não provocou desemprego. Hoje, são gerados 20 empregos por máquina, que colhe de 100 mil a 120 mil toneladas na safra. No processo tradicional um homem colhe uma tonelada por dia e, durante a safra, 1.900 toneladas.


O levantamento da secretaria indica que na safra 2006/2007 a colheita no modelo tradicional empregava 88.833 cortadores manuais e 15.060 trabalhadores qualificados para trabalhar na colheita mecanizada. Hoje são 61.871 manuais e 56.829 qualificados. Aumento de 14% nos postos de trabalho.

Tratamento do Caldo de Cana de Açúcar


O processo de fermentação ou destilação do caldo exige cuidados mínimos que garantam a qualidade do processo e evitem problemas na centrifugação do vinho ou na destilação.
O tratamento do caldo tem os seguintes objetivos:
  • eliminação de impurezas grosseiras (bagacilho, areia), que aumentam o desgaste dos equipamentos e as incrustações, além de diminuírem a capacidade de produção e dificultarem a recuperação do fermento;

  • máxima eliminação de partículas coloidais, responsáveis pela maior formação de espuma e também por dificultarem a recuperação do fermento;

  • preservação de nutrientes, vitaminas, açúcares, fosfatos, sais minerais e aminoácidos livres, necessários ao metabolismo das leveduras;

  • minimização de contaminantes microbianos, os quais competem com as leveduras pelo substrato e podem produzir metabólitos tóxicos a estas, diminuindo a eficiência e a viabilidade do fermento.
    É importante ressaltar que o rendimento de uma destilaria depende de uma série de fatores, como: qualidade da cana; eficiência de lavagem; preparo para moagem; assepsia da moenda e condução do processo fermentativo.

    Condução do tratamento

    O tratamento do caldo para produção de álcool envolve: peneiramento, calagem, aquecimento, decantação, concentração e resfriamento. Considera-se que a lavagem da cana é responsável pela remoção de grande parte das impurezas grosseiras, sendo que essa eficiência depende não só do volume de água, mas também da qualidade da aplicação, do tipo de mesa instalada e das condições de solo e clima durante o carregamento.


    Peneiramento

    Visa a redução das partículas leves (bagacilho) e pesadas (areia, terra etc). Os equipamentos utilizados são peneiras e hidrociclones, os quais conseguem eficiência de 70 a 85%, dependendo do teor de sólidos na alimentação, condições de operação, abertura de telas etc. As principais vantagens de sua utilização são, sobretudo, a redução de entupimento e de desgastes em outros equipamentos, válvulas e bombas.
    Caleação
    O tratamento de caldo com leite de cal não somente provoca a floculação e favorece a decantação das impurezas, mas também protege os equipamentos contra a corrosão. Em relação ao pH a ser alcançado,  quanto mais se aproxima de sete, maior é a remoção de nutrientes do caldo e o excesso de cal pode afetar o crescimento da levedura em cultura. O pH do caldo decantado é ideal quando atinge a faixa entre 5,6 e 5,8, pois não provoca remoção significativa de nutrientes e diminui a ação corrosiva do caldo sobre os equipamentos, além de favorecer a redução do número de microrganismos contaminantes.
    A calagem é conduzida continuamente pela mistura do leite de cal com o caldo no tanque de calagem, sendo a dosagem automaticamente controlada pelo monitoramento do pH do caldo calado.


    Aquecimento

    O aquecimento consiste em elevar a temperatura do caldo entre 103 e 105º C (Celsius). O aquecimento em si pouco reduz a contaminação microbiana devido ao baixo tempo de residência à elevada temperatura. Para aquecer o caldo, utiliza-se normalmente aquecedores verticais, horizontais, tubulares. Após o aquecimento o caldo é levado para a próxima etapa, a decantação.




    Decantação

    Visando a separação (por meio da gravidade) de impurezas com mínima remoção de nutrientes, a decantação (Figura 1) é conduzida em menor intensidade na clarificação do caldo para destilaria do que para produção de açúcar. Esta menor intensidade é dada pelo menor tempo de retenção do caldo no decantador, que gira em torno de três ou três horas e meia contra quatro a cinco horas para a fabricação de açúcar.


      
    Fig. 1. Decantação do caldo da cana-de-açúcar.
    Concentração do caldo

    A concentração do caldo para produção e armazenamento de xarope é uma das operações de tratamento que serve como estratégia tanto para a elevação do teor de açúcar total do mosto, com conseqüente aumento do teor alcoólico, quanto para se garantir a continuidade do processo fermentativo em paradas de moagem. No caso de armazenamento de xarope, sua concentração deve ser a mais elevada possível sem, contudo, atingir um limite próximo ao crítico da cristalização.
    A concentração ideal para armazenamento gira em torno de 60 graus brix (valor do teor de sólidos solúveis contidos no caldo), embora usualmente se produza com concentração entre 50 a 55 brix. A temperatura do caldo que alimenta a dorna é um fator importante no rendimento da fermentação. O sistema de resfriamento de dorna é projetado para manter a temperatura de fermentação e não para resfriar o caldo. Portanto, o caldo proveniente do tratamento deve ser resfriado a temperaturas convenientes por um equipamento adicional antes de ser direcionado à alimentação das dornas.